quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O ressuscitado

O ressuscitado
O ressuscitado


Eu vi Lázaro retornar dos Vales das Sombras. Vi com os meus olhos.  Sob a ordem do Rabi, removemos a grande pedra, e o olor deletério,  expulso  do  intestino  da gruta, foi  como  um  murro  no estômago. Retrocedi de asco e de pavor.

O Rabi dissera: “Lázaro, vem para fora.” Com os pés e as mãos atados ao sudário, o defunto saiu, desajeitado como uma enguia em terra,  arrastando-se  pela  superfície  áspera  e  pedregosa  de seu túmulo.

Os que se seguiram ao retorno de Lázaro foram dias tensos. Ele caiu num mutismo desesperador. Supúnhamos que Lázaro não gostara nada da experiência da morte. Seus olhos transpiravam os horrores que se ocultavam na eternidade prometida. Era evidente que Lázaro não gostaria de a ela retornar.

Certa   feita,   Lázaro   desaparecera.   Fora   encontrado   nas cercanias da herdade, babando como um lunático e rasgando, com os dentes  que  ainda  lhe  restavam,  o  tenro  abdome  de  uma  gorda ratazana.  Com  que  avidez  Lázaro,  meu  patrão,  sugava  e  extraía, alucinadamente,  do ventre do animal, o seu alimento! Lembro-me bem: era véspera do Sabá, e Marta e Maria haviam deixado Betânia às pressas, condoídas pela notícia da prisão do Rabi.

À  terceira hora, quando o solo tremeu (a partir de Jerusalém, porque era morto, naquele instante, o Senhor), os serviçais viram um Lázaro alucinado. O homem lacerava as vestes e se contorcia de dor. Sua tez estava pálida e de sua fronte escorriam grossas bagas de um líquido fétido e viscoso. E, das mãos e dos pés sudorosos, vi que fluía uma substância deletéria, de tonalidade verde-musgo. Os suores eram de  uma  pestilência  pungente, que enodoava  os  grossos  lençóis  e infiltrava-se até nas ranhuras do chão de ladrilho.

Então, num átimo, Lázaro gritou. Gritou porque suas carnes, de tão podres, se rasgavam; e sua alma, de tão aterrorizada, retornava ao Sheol, de onde nunca deveria ter-se evadido.

Eu, Levi, filho de Benjamim, fui o único que se atreveu a recolher  a  massa  pestilenta  em  que  se  convertera  o  cadáver  do ressuscitado.

Maria de Velhe

Maria de Velhe


Maria de Velhe


Maria gostava de sair muitas noites quando tinha tempo. Sextas, Sábados e Domingos eram dias de lazer nos que as reuniões com os amigos, as pequenas viagens em grupo, as festas, bailes, rir e sobre tudo amar, eram o normal.

Aquela noite, Maria não combinara com ninguém, mas ia até a sala de festas onde sempre haveria alguém conhecido, ou de nom o haver procuraria conhecer gente nova para próximas vezes.

Fazia algo de fresco naquela noite de primavera, polo que optou por levar uma jaquetinha ligeira e uma pequena saca onde levava a sua agenda com telefones por se forem necessários. Saiu da casa quando a obscuridom governava o céu e alegremente decidiu ir caminhando para desfrutar aquele serão que começava a estrelar-se mas com a frescura agradável com a que nos faz gozar a natureza no mês de Junho.

Foi baixando de Velhe até as Lagoas e de ali ao centro de Ourense onde decidiu entrar numa sala cheia de gente. Alguns bailavam, outros com o copo na mão e outros entregados ao romantismo às obscuras ao lado dos seus pares.

Maria dirigiu-se à beira da pista para olhar como se mexia a gente sob aquele forte som musical e aquele violento jogo de luzes que estimulavam os sentidos até pôr a adrenalina nos índices extremos.

A música trespassava o corpo de Maria dum lado para o outro até fazê-la a ela própria parte daquela vaga de ritmo obrigando-a subtilmente a se mexer. Os seus pés, as suas pernas eram levadas pola embriagante força do som. Em nada acabou vendo-se participando da dança de forma instintiva à vez que os seus olhos percorriam todo o campo que alcançava a ver, ainda obstaculizado infinitesimalmente  pola fração de segundo de obscuridão entre duas cintiladas de luz de diversas cores que deformavam as figuras daquela massa humana em movimento, tanto mais febril quanto mais monótono e latejante era o ritmo.

Cegada polo mesmo, Maria desfrutou quanto quis durante muito tempo, até que por fim, sentiu a necessidade de recompor as suas forças. Dirigiu-se até o balcão abrindo-se caminho entre a gente, sentindo a suor do pessoal que por ali passava e decidiu beber algo que lhe vencesse a sede que lhe tinha provocado a transpiração cansada pola dança continuada durante as horas que esteve deixando-se levar polo tam-tam impetuoso dos bafles.

Apanhou o copo depois de ter-lho servido o camareiro e foi até um lugar mais tranquilo. Sentou, descansou e respirou. E ali estivo uns minutos.

Ao pouco olhando para a gente como se mexiam descobriu um homem jovem. Ele olhava para ela com um sorriso agradável. Ela, amável, devolveu-lho enquanto ele com graça começou a se dirigir lentamente para ela sem apagar o seu lindo sorriso.

– Posso sentar ao teu lado? –perguntou muito amável.

– Sim, por favor –respondeu ela não menos amável.

–Vim-te sozinha... e como eu também o estou... pensei na solidão compartilhada.


Maria gostava daquele homem de voz cálida e bom humor. Com prazer perguntou:

– Como te chamas?

– José. E tu?

– Maria.

– Bem, falta-nos um Jesus.

– Para quê? – disse Maria com surpresa perante tão estranha resposta.

– Para fazermos um Belém, como no Natal.

Maria perante tão inesperada resposta botou a rir a gargalhadas enquanto José a acompanhava com um não menos intenso riso.

A entrada para uma boa amizade foi boa e por isso após uma longa conversa decidiram bailar a música romântica. Fizeram-no juntinhos, como se levassem muito tempo a se conhecerem.

Continuaram por muito tempo até que acabou a festa e embora se sentissem os dous muito bem juntos, estava sendo tarde e Maria devia ir para a sua morada, pois tinha prometido aos seus pais chegar a uma hora prudente. Àquelas horas já ultrapassavam um bom bocado a prudência das horas e foi por isso polo que determinaram irem embora. Maria pegou na jaquetinha e a saca e foi-se cara a porta acompanhada do José, quem agradavelmente se ofereceu para levá-la na sua moto.

Maria aceitou com um sorriso amplo e brilhante penetrando os olhos verdes do José que sorriu ao ver aquela expressão linda da rapariga.

Apanharam a moto do moço e foram embora, velozmente polas ruas de Ourense rumo da casa da Maria à qual chegaram em poucos minutos embora estivesse nas aforas da cidade.

Ao chegarem, Maria baixou e não pude evitar se achegar ao rosto do rapaz para lhe dar um beijo que se prolongou no tempo. Depois vieram outros dous, três e mesmo mais quatro beijos celebrados com muito agarimo e abraços entre os dous jovens. Às suas costas o rio Minho e no fundo a Ponte Velha iluminada punha um elemento romântico no seu contorno que fazia que os seus corações acelerassem os seus ritmos unisonicamente.

Quando o José acertou, finalmente, a se ir embora, montou na sua moto e voou até se perder pola estrada perante a atenta olhadela da Maria que viu com um lindo sentimento de felicidade como se lhe mexiam uma coleção de borboletas no estômago que lhe davam a entender que aquilo poderia ser o começo duma bela amizade romântica.

Baixada da nuvem, Maria tomou a consciência de estar na cancela da entrada da sua casa e baixando os seus pensamentos ao nível do comum, mais quotidiano, deu-se conta de ter deixado a jaquetinha na moto do José. Preocupou-se por um momento, mas lembrava que tinha combinado com ele de ali a três dias, polo que entrou na casa mais tranquila e esqueceu o tema até se virem.
Passaram os três dias. Maria, com a combinação na cabecinha vestiu aquela tarde a roupa mais formosa que tinha para se ver com o José como acordaram, no mesmo lugar do que a primeira vez.

Saiu da casa muito alegre e andou com ligeireza todo o caminho que a levava até a sala de festas do centro de Ourense.

Chegou, entrou e foi rumo o lugar acordado onde parecia que não tinha chegado quem ela aguardava. Nom havia preocupaçom. Era ainda cedo.

Sentou e pediu uma bebida para aguardar melhor e combater a impaciência.

O tempo passava e enquanto ela sonhava com os olhos abertos imaginando-se aquele homem sensível e alegre, delicado e generoso, engraçado e sempre com o sorriso nos lábios.

Sonhou desperta uma boa miga e imaginou situações com ele nas que ela era feliz.

Qualquer outra pessoa que olhasse para ela nesses momentos estaria a vê-la com a visom perdida. Sorrindo às vezes... Perguntar-se-ia em que nuvem voaria a rapariga nesses instantes.
Assim se passou o tempo.

Quando voltou à realidade eram as dez e meia, mas o José nom estava ali. Que aconteceria?

Pediu outra bebida ligeira para seguir aguardando enquanto olhava para a multidão por se conseguia distinguir o José entre a gente.

O tempo foi passando-se e a felicidade da Maria foi pouco a pouco transformando-se em preocupação.
As onze de meia da noite.

O rapaz já não haveria de vir. Porque tinha combinado com ela se tinha pensado nom vir? Ou quiçá lhe acontecesse qualquer cousas...

A preocupação deu passagem a outros sentimentos não tão felizes.

Dali a mais uns minutos já nom pude aguentar mais. Ergueu-se da sua cadeira e foi para a saída, subiu as escadas, chegou à porta e botou a última olhadela para ver se conseguir localizar a moto do José.

Nada.

Maria, com vontade de chorar começou a andar lenta e pensativa. Quiçá nom tinha porque pensar mal, quiçá foi que ele nom pude vir por alguma razom importante e nom pude avisar por nom ter o seu telemóvel... ou quiçá aconteceu qualquer outra cousa fora do seu alcance.

Maria seguia caminhando à vez que também os seus pensamentos ferviam na sua cabeça, Umas vezes tendo em conta possibilidades inevitáveis, outras que se repartiam entre o nom querer, ficando ela zangada, ou alternativas funestas que quase a faziam chorar.

Chegou à casa muito cedo. Dirigiu-se imediatamente ao seu quarto e ali se deixou cair sobre a cama para botar-se a chorar com desesperação.

Assim passou aquela noite.



Ao dia seguinte, Maria foi à academia onde estudava uns exames de Estado. O seu rosto indicava nom ter dormido nada. Estava triste e sem vontade de trabalhar. Não sabia bem que lhe doía mais: o possível desprezo ou que lhe pudesse ter acontecido algo mau àquele rapaz que não lhe parecia mentiroso.

Por várias noites seguidas foi à discoteca onde se conheceram com o intuito de se topar com ele, mas sem resultados positivos polo que começou a pensar na possibilidade de que lhe pudesse ter acontecido algo inevitável embora não acertasse a saber se isso era qualquer problema relacionado com uma obriga laboral, familiar ou algo pior que afetasse a sua integridade física. Só pensar nisto último arrepiava-a.

A curiosidade era grande, assim como a incertidão mas para alem de tudo isso ele tinha algo dela: a sua jaquetinha. Devia tentar saber do seu paradeiro de qualquer jeito embora não soubesse nenhum telefone de contato, nenhum endereço...

Tentou lembrar algo que se escondesse na sua memória por se tinha comentado qualquer cousa ao respeito e vagamente lembrou que tinha falado duma aldeia chamada Gundiães. Gundiães!!! Onde ficava esse lugar??

Com os nervos de quem descobre algo útil perguntou a algumas pessoas conhecidas ela e conseguiu saber de dous possíveis Gundiães: um pertinho de Alhariz e outro a poucos quilómetros donde ela vivia seguindo a estrada que passava pola sua casa, rumo Nogueira de Ramoim. Bem!!

A sua lógica começou a fiar pequenos pormenores e chegou à conclusão de que a última possibilidade era a mais real.

Ao dia seguinte de se inteirar da proximidade desse Gundiães a poucos quilómetros da sua casa decidiu achegar-se até lá como quem vai dando um pequeno passeio. Vestiu o seu fato de treino e ao serão começou a caminhar como quem faz desporto. Caminhou durante uma boa miga enquanto o sol já baixo e oblíquo ajudava a diminuir o calor que caia desde havia umas horas. Isso facilitava a caminhada da Maria que tomava boa nota de todos os lugares por onde se passava, reconhecendo os seus nomes que por outra parte ela lembrava que foram ditos polo José.

Finalmente dali a uma meia hora de caminho viu o indicativo com o nome de “Gundiães”. Descontraiu a sua marcha e abriu bem os seus sentidos e a sua intuição com a finalidade de reconhecer qualquer cousa que lhe desse um indício relativo ao lugar onde poderia morar aquele rapaz de olhos azuis que tanto a tinha preocupado aqueles últimos dias.

Reparou em todas e em cada uma das casas que ficavam à beira da estrada sem ver nada significativo até que a poucos metros diante de si olhou uma moto conhecida. Esta era preta e com duas finas raias brancas nos guarda-lamas, selim amplo para duas pessoas e um autocolante com um GZ na parte traseira.

Sem qualquer dúvida aquela era a moto do José!!

Maria, prudentemente aguardou uns minutos. Esteve ali parada uns momentos tomando força para decidir-se a entrar enquanto contemplava a moto que se assemelhava em todos os pormenores com a que ela tinha montado e onde deixara a sua jaqueta.

Dirigiu-se até a cancela após ter respirado para poder vencer a sua timidez e premeu a campainha.

Silêncio.

Passaram-se uns segundos e voltou a premer a campainha. A porta da casa abriu e saiu um homem de uns sessenta anos aproximadamente, com traças de não ser precisamente um camponês, mas um homem com uma presença cultivada. Achegou-se à cancela e abriu.



– Boa tarde –respondeu com olhada de curiosidade.

–Boa tarde –respondeu a Maria com amabilidade. – Venho porque creio que alguém da casa tem uma jaquetinha da minha propriedade e venho por ela.
–Uma jaqueta? Pois... não sei. Como é a jaqueta?

–Pois, castanha, de ponto e com desenhos andinos.

–Bom, vamos ver se sabe algo a minha senhora – concluiu o amável senhor. –Emília!!! – berrou chamando pola sua esposa.  –  Emília!!!

Emília saiu pola porta com uma cafeteira nas mãos.

– Que é o que se passa? –perguntou.

– Esta rapariga diz que tens uma jaqueta dela – comentou o senhor enquanto a Emília punha expressão de estranheza no rosto.

– Não, não é assim exatamente – interveio a Maria com um sorriso para descontrair a conversa.– Não creio que a tenha a senhora. Para ser mais concreta creio que a deve ter o dono dessa moto que está cá arrumada. Esteve com ele há uns dias e quando nos despedimos deixei a jaqueta esquecida e ele foi quem a levou sem se dar conta.

Nesse momento tanto o senhor como a Emília puseram rosto de grande surpresa.

–Como? – disse ele. – Quem dizes?

– Acho que se chama José e combinei com ele há uns dias. Levou-me à minha morada nessa mesma moto.

Os senhores da casa mudaram a sua expressão até a brancura extrema não podendo acreditar no que aquela rapariga estava a dizer.

– Minha nena, estás num erro grave – respondeu o homem-,  o dono dessa moto era o nosso filho mas está morto desde há três anos.

O que estava a ouvir Maria deixou-a fria como o gelo. Era ela agora quem mudou a expressão do seu rosto. A surpresa, a incredulidade e o medo se mesclavam nela.

– Bom, aqui deve haver alguma confusão – reafirmou. Eu combinei com alguém que me levou nessa moto há uns dias. Disse que se chamava José e era acastanhado e com os olhos azuis, alto... e estava vivo!!

Emília achegando-se até a cancela confirmou.

– O nosso filho chamava-se José, tinha os olhos azuis, o cabelo castanho era alto... e está morto.

O silêncio governou por um momento aquela tensa situação. Os três ficaram olhando os uns para os outros sem compreenderem absolutamente nada até que o senhor decidiu.

– Quero que venhais comigo.

– Aonde? – perguntou a Maria.

– Vem – cortou ele à vez que saía da cancela para afora e se punha a caminhar.

Maria confusa andou detrás dele sem fazer mais perguntas. Ele caminhava com decisão até que chegou à estrada geral onde estava a igreja de São Miguel do Campo. A Maria não queria imaginar o que queria o senhor e por respeito seguiu-o mas não porque lhe resultasse agradável. Entraram no cemitério e justo a uns passos da entrada a Maria parou levou as mão à boca, abriu os olhos e sentindo um frio arrepio polo seu corpo só pôde dizer...

– Por favor senhor, não me conte mais...

O senhor olhou para onde ela dirigia a vista e viu acima de uma tumba uma jaqueta de ponto, de cor castanho e com desenhos andinos. Acima uma formosa rosa vermelha e na cabeça do túmulo justo onde a cruz uma foto a cor dum formoso rapaz de cabelos quase louros, olhos azuis, sorriso agradável e um nome escrito: José Barreiros Failde.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Uma História de Amor Verdadeira...

Eu retornava pra casa, em um dia muito frio quando tropecei em uma carteira.
Procurei por algum meio de identificar o dono.
Mas a carteira só continha três dólares e uma carta amassada,
que parecia ter ficado ali por muitos anos.
No envelope, muito sujo, a única coisa legível era o endereço do remetente.
Comecei a ler a carta tentando achar alguma dica.
Então eu vi o cabeçalho.
A carta tinha sido escrita quase sessenta anos atrás.
Tinha sido escrita com uma bonita letra feminina em azul claro sobre um papel
de carta com uma flor ao canto esquerdo.
A carta dizia que sua mãe a havia proibido de se encontrar com Michael mas
ela escrevia a carta para dizer que sempre o amaria.
Assinado Hannah.
Era uma carta bonita, mas não havia nenhum modo, com exceção do nome
Michael, de identificar o dono.
Entrei em contato com a cia. telefônica, expliquei o problema ao operador e
lhe pedi o número do telefone no endereço que havia no envelope.
O operador disse que havia um telefone mas não poderia me dar o número.
Por sua própria sugestão, entrou em contato com o número,
explicou a situação e fez uma conexão daquele telefone comigo.
Eu perguntei à senhora do outro lado, se ela conhecia alguém chamada Hannah.
Ela ofegou e respondeu:
- "Oh! Nós compramos esta casa de uma família que tinha uma filha chamada Hannah.
Mas isto foi há 30 anos!"
- "E você saberia onde aquela família pode ser localizada agora?"
Eu perguntei.
- "Do que me lembro, aquela Hannah teve que colocar sua mãe em um asilo
alguns anos atrás", disse a mulher.
"Talvez se você entrar em contato eles possam informar".
Ela me deu o nome do asilo e eu liguei.
Eles me contaram que a velha senhora tinha falecido alguns anos atrás mas eles
tinham um número de telefone onde acreditavam que a filha poderia estar vivendo.
Eu lhes agradeci e telefonei.
A mulher que respondeu explicou que aquela Hannah estava morando agora em um asilo.
A coisa toda começa a parecer estúpida, pensei comigo mesmo.
Pra que estava fazendo aquele movimento todo só para achar o dono de uma
carteira que tinha apenas três dólares e uma carta com quase 60 anos?
Apesar disto, liguei para o asilo no qual era suposto que Hannah estava
vivendo e o homem que atendeu me falou,
- " Sim, a Hannah está morando conosco."
Embora já passasse das 10 da noite, eu perguntei se poderia ir para vê-la.
- "Bem", ele disse hesitante,
"se você quiser se arriscar, ela poderá estar na sala assistindo a televisão".
Eu agradeci e corri para o asilo.
A enfermeira noturna e um guarda me cumprimentaram à porta.
Fomos até o terceiro andar.
Na sala, a enfermeira me apresentou a Hannah.
Era uma doçura, cabelo prateado com um sorrisso calmo e um brilho no olhar.
Lhe falei sobre a carteira e mostrei a carta.
Assim que viu o papel de carta com aquela pequena flor à esquerda,
ela respirou fundo e disse,
- "Esta carta foi o último contato que tive com Michael".
Ela pausou um momento em pensamento e então disse suavemente,
- "Eu o amei muito. Mas na ocasião eu tinha só 16 anos e minha mãe achava
que eu era muito jovem.
Oh, ele era tão bonito.
Ele se parecia com Sean Connery, o ator".
- "Sim," ela continuou.
"Michael Goldstein era uma pessoa maravilhosa.
Se você o achar, lhe fale que eu penso freqüentemente nele.
E", ela hesitou por um momento, e quase mordendo o lábio, "lhe fale que eu
ainda o amo.
Você sabe", ela disse sorrindo com lágrimas que começaram a rolar
em seus olhos,
"eu nunca me casei.
Eu jamais encontrei alguém que correspondesse ao Michael..."
Eu agradeci a Hannah e disse adeus.
Quando passava pela porta da saída, o guarda perguntou,
- "A velha senhora pode lhe ajudar?"
- "Pelo menos agora eu tenho um sobrenome.
Mas eu acho que vou deixar isto para depois.
Eu passei quase o dia inteiro tentando achar o dono desta carteira".
Quando o guarda viu a carteira, ele disse,
- "Ei, espere um minuto!
Isto é a carteira do Sr. Goldstein.
Eu a reconheceria em qualquer lugar.
Ele está sempre perdendo a carteira.
Eu devo tê-la achado pelos corredores ao menos três vezes".
- "Quem é Sr. Goldstein?" Eu perguntei com minha mão começando a tremer.
- "Ele é um dos idosos do 8º andar.
Isso é a carteira de Mike Goldstein sem dúvida.
Ele deve ter perdido em um de seus passeios".
Agradeci o guarda e corri ao escritório da enfermeira.
Lhe falei sobre o que o guarda tinha dito.
Nós voltamos para o elevador e subimos.
No oitavo andar, a enfermeira disse,
- "Acho que ele ainda está acordado.
Ele gosta de ler à noite.
Ele é um homem bem velho."
Fomos até o único quarto que ainda tinha luz e havia um homem lendo um livro.
A enfermeira foi até ele e perguntou se ele tinha perdido a carteira.
Sr. Goldstein olhou com surpresa, pondo a mão no bolso de trás e disse,
- "Oh, está perdida!"
- "Este amável cavalheiro achou uma carteira e nós queremos saber se é sua?"
Entreguei a carteira ao Sr. Goldstein, ele sorriu com alívio e disse,
- "Sim, é minha! Devo ter derrubado hoje a tarde. Eu quero lhe dar uma recompensa".
- "Não, obrigado", eu disse.
"Mas eu tenho que lhe contar algo.
Eu li a carta na esperança de descobrir o dono da carteira".
O sorriso em seu rosto desapareceu de repente.
- "Você leu a carta?"
"Não só li, como eu acho que sei onde a Hannah está".
Ele ficou pálido de repente.
- "Hannah? Você sabe onde ela está? Como ela está?
É ainda tão bonita quanto era? Por favor, por favor me fale", ele implorou.
- "Ela está bem... E bonita da mesma maneira como quando você a conheceu".
Eu disse suavemente.
O homem sorriu e perguntou,
- "Você pode me falar onde ela está? Quero chamá-la amanhã ".
Ele agarrou minha mão e disse,
"Eu estava tão apaixonado por aquela menina que quando aquela carta chegou,
minha vida literalmente terminou.
Eu nunca me casei. Eu sempre a amei."
- "Sr. Goldstein", eu disse, "Venha comigo".
Fomos de elevador até o terceiro andar.
Atravessamos o corredor até a sala onde Hannah estava assistindo televisão.
A enfermeira caminhou até ela, "Hannah,
" ela disse suavemente, enquanto apontava para Michael que estava esperando
comigo na entrada. "Você conhece este homem?"
Ela ajeitou os óculos, olhou um momento, mas não disse uma palavra.
Michael disse suavemente, quase em um sussurro, - "Hannah, é o Michael. Lembra-se de mim?"
- "Michael! Eu não acredito nisto! Michael! É você! Meu Michael!"
Ele caminhou lentamente até ela e se abraçaram.
A enfermeira e eu partimos com lágrimas rolando em nossas faces.
- "Veja", eu disse. "Veja como o bom Deus trabalha! Se tem que ser, será!".
Aproximadamente três semanas depois eu recebi uma chamada do asilo em meu escritório.
-"Você pode vir no domingo para assistir a um casamento?
O Michael e Hannah vão se amarrar"!
Foi um casamento bonito, com todas as pessoas do asilo devidamente
vestidos para a celebração.
Hannah usou um vestido bege claro e bonito.
Michael usou um terno azul escuro.
O hospital lhes deu o próprio quarto e se você sempre quis ver uma
noiva com 76 anos e um noivo com 79 anos agindo como dois adolescentes,
você tinha que ver este par.
Um final perfeito para um caso de amor que tinha durado quase 60 anos...

Não é amor




Não é amor
Se você prende
Se você sufoca
Se você desgasta
Se você controla

Não é amor
Se você machuca
Se você chantageia
Se você vai
Se você ignora

Não é amor
Se você faz descaso
Se você não respeita
Se você não apoia
Se você rejeita

Não é amor
Se você não tenta
Se você desiste
Se você não luta
Se você não melhora

Não é amor
Nem nunca foi
Se você continua covarde
Saiba que fiz minha parte
Mas de você nada mais vou esperar

Não é amor
Nem nunca será
Você manteve seu medo
Guardou seu amor em "segredo"
Tampouco quis se esforçar

Não é amor
Foi só uma vaidade
Que você quis cultivar

Será Mesmo?




Talvez eu tivesse apenas esperando
Que você se esforçasse
Que você valorizasse
Tudo o que aconteceu

Talvez fosse a profunda mágoa
De seu abandono
De seu descaso
De seu orgulho exacerbado

Que amor é esse?
Que diz ser
Sem realmente ser

Que amor é esse?
Que não luta
Que não tenta se exprimir

Que amor é esse?
Será mesmo uma grande vaidade?
Tão imensa a ponto de não combater
Meu orgulho e também minha vaidade

Será mesmo amor
Esse que se contenta com saudade?
Será mesmo sentimento
Esse que machuca e aprofunda as feridas?

Será mesmo o amor
Esse teu que não te apresenta saídas?

meu blog

oii pessoal sou bruna eu acabei de fazer um novo blog espero que gostem...
se vocês tiverem visto meu outro blog chamado:brunaelainevgs91.blogspot.com.br
foi o mais visto do meus blogs...
espero que gostem beijos ate mais